30 agosto 2013

Usuários estão ficando mais atentos aos desvios da rede social


Perto de seus dez anos, o Facebook já não é mero espaço de encontro, mas um fenomenal depósito de informações, uma potente ferramenta de negócios e uma triste vitrine de felicidade ilusória.


Valentina e Laura


Valentina: “Parece que agora precisamos mostrar nossos sentimentos, como se isso criasse uma identidade”. Laura: “Percebi que teria de abrir uma conta nova. Voltei com mais cuidado”



Miriam Sanger


Assim como política, religião e futebol, Facebook não se discute. Cada um do cerca de 1 bilhão de usuários enxerga essa rede social com forma e propósitos diferentes. 

Ninguém pode discordar que ela flutua a favor da maré e cresce exponencialmente, para a felicidade de seu jovem proprietário e dos acionistas da empresa. Essa expansão, no entanto, não necessariamente representa benefícios para aquele que deveria ser seu bem mais precioso: o público, cada vez mais ressabiado, como apontam pesquisas, com a falta de privacidade. 

Nem isso, porém, parece ter diminuído o ímpeto de compartilhar informações, atitudes cotidianas ou se envolver em algumas das tribos que deixaram o sofá e foram às ruas protestar contra os problemas nacionais.

Muito se tem investigado a respeito do usuário dessa mídia, que vem mudando junto com ela. Esse assunto é ainda mais relevante no Brasil, onde está o povo que mais gasta tempo em redes sociais e cada vez mais é instigado a um novo comportamento: a superexposição voluntária.

“Comparo as novas mídias sociais a uma grande festa, um lugar acolhedor e descontraído onde euforicamente nos sentimos livres para nos exibir.

Ali, agimos como se estivéssemos sonhando com os olhos abertos, em um estado alterado de consciência que reduz nossas defesas e nosso senso crítico”, acredita a psicóloga Katty Zúñiga, pesquisadora do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática (NPPI) da Clínica Psicológica da PUC de São Paulo.

“A pessoa entra na rede social e ‘cresce’ de acordo com o estímulo que recebe de amigos e conhecidos. Esse fato então se mescla à sua bagagem cultural: se o brasileiro é por natureza mais expansivo, com certeza vai se expor mais que um boliviano, por exemplo”, explica a professora Beth Saad, coordenadora do curso de pós-graduação em Comunicação Digital na Escola de Comunicações e Artes da USP.

Quem é usuário sabe do que Beth fala, e boa parte do que hoje se vê ali postado deixa evidente a sensação de liberdade do autor, que muitas vezes escreve o que não diria cara a cara e mostra imagens que “ao vivo” não exibiria – ou, pior, exibe uma agressividade que não costuma pessoalmente expressar. 

“Esse me parece o lado complicado do Facebook. Acho que, ali, as pessoas se tornam mais agressivas. A questão do anonimato, também permitido no mundo virtual, é outro aspecto que pode levar a situações desagradáveis. 

Mas não tem jeito: tudo isso faz parte desse movimento”, considera Joel Bueno, bancário aposentado que viu no Facebook uma forma de divulgar mais amplamente seu blog.

Espiral da felicidade

Talvez a euforia descrita por Katty também explique o fenômeno chamado “espiral da felicidade”.

A tendência aparece em pesquisas: o usuário vê seus amigos felizes e, por isso, evita postar mensagens “pra baixo”. 

“De forma geral, a rede é como uma onda, na qual quando um está feliz o outro precisa dizer que também está e, mais ainda, precisa ‘curtir’ a felicidade alheia”, afirma Beth Saad. 

Essa permanente festa de um mundo irreal, no entanto, traz sofrimento. Segundo um estudo recente realizado pelas universidades alemãs Humboldt, de Berlim, e de Ciências Aplicadas de Darmstadt, mais de um terço dos usuários do Facebook enfrenta sentimentos negativos como frustração e tristeza depois de visitar o perfil dos “amigos”.

E aí entra uma questão sobre conceito de amigo do ponto de vista da rede social. “Já está claro que não segue o mesmo conceito da vida real. Na rede, você se torna amigo de quem é celebridade, de quem posta ideias interessantes, de quem é amigo de um amigo”, diz Beth. 

Ou seja, a construção de uma rede de relacionamento não segue, a rigor, nenhum critério, e amigos podem ser clientes, colegas de trabalho e até o chefe, lado a lado com a tia-avó e os filhos da melhor amiga. Haja confusão.

“Como posto muito, sei que me exponho e deveria ser mais comedida”

“Já levei bronca dos meus amigos porque na minha página estão meu network profissional, minha família e meus amigos. Eu não deveria ficar expondo o mundo de um aos outros, mas não consigo ainda dividir minha página. Assim, como posto muito, sei que me exponho e deveria ser mais comedida”, descreve a assessora de eventos Carolina Birenbaum.

Com mais de 2.700 amigos em sua página, ela utiliza o Facebook também com fins profissionais e armazena o portfólio de sua empresa. 

Já a secretária Eliane Ferraz de Souza Morales, usuária há cerca de um ano, vai ao extremo oposto. “Uso o Facebook para acompanhar as novidades de meus amigos. Mas a minha intimidade eu não publico – não vejo por que tornar públicos assuntos que são somente meus.”

Mas nunca foi tão difícil separar alhos de bugalhos: a divisão do que é pessoal daquilo que é profissional, em vez de se tornar clara, é cada vez mais tênue, assim como a distinção entre o que é de interesse comum e o que é puramente merchandising. 

“O Facebook nasceu com o intuito de ser um lugar onde as pessoas poderiam compartilhar suas experiências. No entanto, o que vemos agora? Mil adds, apps e praticamente um canal de propaganda de todos os centros comerciais do mundo”, afirma a fotógrafa Solange Benasulin, que utiliza a ferramenta para divulgar seu trabalho.

Essa face mercantilista está cansando usuários – e já há quem esteja se afastando. A alteração do perfil do Facebook soa, para Sérgio Basbaum, como o fim de uma época mais “inocente” da ferramenta. “Quando entrei, em 2007, achei o Facebook interessante. A sensação que tinha ao navegar ali era a mesma de quando eu, no passado, ia à praia no Rio de Janeiro. Encontrava uma amiga aqui, um grupo ali, um amigo antigo que não via há tempos. Ainda existe essa dinâmica interessante. O lado esquisito é que virou um espaço utilitário e perdeu, com isso, sua ingenuidade inicial”, avalia ele, que é pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD) na PUC-SP.

A ilustradora Valentina Fraiz decidiu “voltar à vida analógica”. Usuária por anos, ela sempre foi questionadora do nível de exposição ao qual as pessoas pensadamente se propõem: “Não entendo de onde vem esse prazer. Parece que agora, o tempo todo, precisamos mostrar como estamos nos vestindo, nossos sentimentos, nossos gostos, como se isso criasse uma identidade. Sempre provoquei as pessoas: ‘Ei, galera, prestem atenção no que vocês estão postando!’ E, quanto mais eu questionava, mais as pessoas me bloqueavam”.

A motivação final para sair dessa rede surgiu quando as páginas de algumas amigas foram bloqueadas em função de fotos postadas. “Elas participaram de um evento público, a Marcha das Vadias, que acontece no mundo inteiro, e apareciam nas fotos com os seios pintados, uma situação absolutamente não sexual. Foi censura. Como assim? Você tem de se ajustar, dar todas as suas informações e, em troca, levar para casa um patrulhamento moral?”, questiona Valentina.

O que não estava no script era deparar com uma espécie de crise de abstinência. Semanas depois de ter ‘morrido’ no Face, ela abria o computador e mecanicamente começava a digitar o endereço dele. “Minha filha Laura, que curtiu minha iniciativa, também saiu durante seis meses. Sofreu muito, pois ficou em um tal grau de isolamento em relação aos amigos que era impossível suportar. E fui eu mesma que a aconselhei a voltar.”

Laura explica que tinha mudado para uma cidade nova, não tinha amigos, e estar fora da rede atrapalhou. “Eu ficava sabendo de uma festa só depois, e percebi que não estava sendo chamada porque os convites eram publicados só no Face. Uma hora percebi que teria de abrir uma conta nova. Voltei com uma atitude nova, com mais cuidado para não expor minha vida como antes. Sou discreta sem ser ausente.”

"Uso o Face para acompanhar novidades de amigos. Mas a minha intimidade eu não publico." 

Quem usa quem?

Difícil traçar um padrão para todos os usuários, pois há de tudo um pouco: o reclamão, que percebe a propagação que o Face tem; o solitário, que posta madrugada adentro e lança bom-dia e boa-noite para o mundo inteiro; o voyeur, que não posta nada, mas acompanha tudo; o ideólogo de plantão; o comentarista esportivo; o espalhador de confete.

Há de se considerar também a tribo dos que não estão no Facebook, como a diretora de teatro Inês Saldanha, que há anos alimenta, segundo ela, uma preguiça imensa de participar. “Acho que é invasivo e chato. Por vezes é profundamente poderoso, por outras, leviano. Ainda prefiro me relacionar com algo que seja tridimensional”, brinca.

Quanto ao padrão de uso, há referências claras, que dividem os brasileiros em três grandes grupos. 

O maior deles o utiliza com postura de entretenimento e relacionamento pessoal, e em geral dá muito ‘curtir’ em propagandas e marcas. Frequenta aplicativos, jogos e dissemina muitas mensagens genéricas, de estilo de vida, saúde, religião. 

O segundo privilegia a construção de um grupo de contatos bem estudado, normalmente motivado por um interesse específico, seja intelectual, seja profissional. 

Já o último grupo costuma visitar “fan pages” de empresas, fazendo um uso mais mercadológico e publicitário da ferramenta, que por trás o incentiva a disseminar esse conteúdo para uma rede de pessoas. Uma vez ali, as empresas passam a ter acesso aos perfis e, assim, a trabalhar conteúdos direcionados.

Um estudo realizado em 2012 pela Hi-Mídia, empresa de mídia on-line, e a M.Sense, especialista em pesquisa sobre o mercado digital, mostrou o que o Facebook representa a partir do ponto de vista mercadológico: foi considerado como mídia de “elevada penetração junto ao público” devido à sua alta frequência de acesso (75% dos entrevistados o visitavam ao menos uma vez por dia); 72% discutiam em suas páginas sobre produtos e estavam familiarizados com compras on-line; e 12% já compraram diretamente no Facebook, percentual considerado elevado. 

“Eu já fiz compra pelo Face, é uma ferramenta importante e diária. Mas precisa saber usá-lo, filtrando os conteúdos que chegam até você – percebo, pela página de alguns amigos, que nele é possível desperdiçar tempo sem nenhum benefício. Depende de cada um definir como quer usá-lo”, diz o assistente financeiro Thiago Eráclito.

Seja como for, é evidente que o Facebook está a “dois palitos” de se transformar na mais potente ferramenta de vendas do globo, por meio da qual as empresas conseguem fazer ofertas de uma forma tão orientada quanto nunca foi possível antes – e isso graças ao próprio usuário, que oferece tantas informações pessoais em troca de... nada. 

Quanto tempo cada usuário gasta na internet, quais empresas visita, quantas vezes viaja a lazer e qual seu programa de TV favorito são apenas migalhas do imenso arsenal de conhecimento concentrado ali.

"As pessoas se tornam mais agressivas, mas não tem jeito: tudo faz parte desse movimento”

Impossível prever quão mais longe o Facebook vai chegar. Sérgio Basbaum o vê como um “boteco da moda”: na hora que aparecer um mais descolado, todo mundo vai migrar. Mas esse outro ainda não apareceu. 

“Toda plataforma de relacionamento tem um ciclo de vida, basta lembrar do Orkut ou do My Space. Nesse momento, o Face está entrando em um patamar em que ou ele se reformula, ou outras poderão tomar seu lugar. É um ciclo de amadurecimento natural”, acredita Beth, enquanto Valentina imagina que o pior ainda está por vir: “Dentro de alguns anos, o Facebook será tão dono de nossas informações que teremos de pagar para poder mantê-las em privacidade”. 

Tudo dito, nada concluído, talvez não dê mesmo para saber que rumo a coisa vai tomar – mas há de se perder, e já, a inocência.

Postado no site Rede Brasil Atual em 10/08/2013

Cinco filmes polêmicos sobre religião


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Ao quebrar tabus, arte instiga sociedade a perceber que nada deve ser inquestionável. Obras sugeridas sofreram boicotes e censuras, mas abriram debates necessários.


Rafael Lopes, do Cinetoscópio

O cinema enquanto expressão artística não poderia jamais fechar os olhos para temas polêmicos. Lembre-se que quando Chaplin te fazia rir enquanto apertava uns parafusos dentro das engrenagens da indústria, denunciava também a exploração do empregado na selvageria das indústrias.

Por essas e outras, o cinema sempre teve consigo o fardo de ao mesmo tempo em que diverte precisa documentar. A câmera vira, então, os olhos de quem enxerga uma situação de uma forma e disserta sobre de uma forma dinâmica, em 24 quadros por segundo.

A arte quebrando tabus tem sido uma das formas da sociedade demonstrar sua reflexão diante de situações que não são discutidas com mais naturalidade. O cinema já fez isso com homossexuais, casos de aborto, reféns das guerras no oriente médio e outros temas. O que será discutido aqui é a religião.

Nesta lista estão 5 filmes que de maneiras distintas oferecem discursos basicamente sobre o mesmo tema: a relação da fé com o ser humano. São 5 exemplos de como o cinema encarou esse assunto que certamente mexe com uma gigantesca parcela da sociedade, onde uns aceitam e outros torcem o nariz.

São filmes que sofreram com tentativas de boicotes, com recepções variadas pelo público mas que principalmente foram corajosos em abrir um debate que muitos se negam por motivos variados, sendo o principal dele a não reflexão de uma verdade que julgam absoluta. São 5 filmes que valem a pena pela sabedoria de tratar o tema com a responsabilidade de na linguagem cinematográfica além de nos entreter, informar.

5 – Dogma


Leia a crítica aqui. Dogma não é de fácil digestão. Pra começar nem todo mundo é fã do humor negro e é justamente esse que impera nesse filme. Mas e qual é o conceito de humor negro?

Muitos dirão ser o humor que trata de assuntos mais polêmicos, do humor que ofende. Trata-se de um humor apelativo, é verdade, mas que no fim das contas sequer chega a ofender.

O diretor Kevin Smith usa de itens básicos à religião cristã para criticar a forma com que as pessoas se apegam a símbolos religiosos e disso se desfazem até das próprias responsabilidades. Tal qual uma cena em que um anjo convence um cristão a ser ateu, Smith discute a dualidade do ser humano diante das próprias crenças, tal qual a escolha de levar uma vida dentro dos princípios religiosos com medo de ir para o inferno se logo em seguida fará alguma besteira fora desses princípios pensando ser perdoado só por se arrepender.

Dogma discursa muito bem sobre essa hipocrisia, o que rende momentos brilhantes dentro da trama e faz concluir que não se trata de um humor negro. Está mais para o bom e velho humor crítico que ninguém gosta porque a carapuça serve.

4 – A Vida de Brian


Leia a crítica aqui. Num debate na TV inglesa, John Cleese discutia com representantes religiosos sobre o “teor de blasfêmia” que seu novo filme tinha. Cleese em uma resposta quebrou os dois líderes religiosos, que o sabatinavam de maneira vergonhosamente tendenciosa, tentando colocar os Monty Python contra o público. Cleese questionou sobre a fé dos mesmos quando levantou a questão de que se um filme abala a fé de alguém é porque tem alguma coisa errada com a fé desse alguém.

E essa situação que John Cleese viveu na TV é um dos temas relacionados à religião que A Vida de Brian discute. O filme narra a história do pobre Brian, que quando menos espera é considerado santo, mas não passa de um ser humano comum.

A pretensão do filme não é recontar a história de Jesus às avessas, mas sim criticar a chuva de falsos profetas e charlatões que usam de uma retórica afiada (e muito eficiente) para pastorar as ovelhinhas, bem como os líderes fizeram com o Monty Python quando publicamente tocaram o zaralho para ver A Vida de Brian banido dos cinemas (ou como no programa onde acontecia o debate citado acima, faziam perguntas que mais se preocupavam em colocar o público contra os caras do que realmente chegar a algum entendimento sobre o assunto).

3 – Jesus Camp


Esse polêmico documentário abre espaço para um debate delicado acerca da influencia religiosa sobre os grandes líderes políticos e sobre os ensinamentos das doutrinas religiosas praticamente por meio da tortura.

O filme conta a experiencias de crianças em um acampamento onde simplesmente aprendem a ser fanáticos religiosos, onde o que mais querem na vida é ser um próximo Billy Graham (famoso líder religioso que fez muito sucesso na TV e ainda foi conselheiro espiritual de muitos presidentes americanos, incluindo Nixon, com quem teve um acalorado papo anti semita uma vez), onde o “real” objetivo de sua estadia lá era “recuperar, em nome de Cristo, os EUA”.

Segundo a produtora Rachel Grady ”O documentário é muito profissional e informativo. A temática é real, e tem que ser conhecida pelo mundo” e acrescentou que “o governo deveria se separar da igreja”. Sim, as decisões políticas não precisam necessariamente ter nenhuma relação com religião.

É por isso que temas polêmicos e de real necessidade de a sociedade debater (como aborto, casamento homossexual ou liberação das drogas) não saem do estado estagnado em que se encontram porque desde cedo as crianças estão aprendendo o lado errado da fé.

O fanatismo não é o caminho, não existe verdade absoluta e o tratamento às crianças é realmente questionável. Seria a educação correta? Tire suas conclusões, veja o filme clicando AQUI.

2 – A Última Tentação de Cristo


E se Jesus Cristo tivesse levado uma vida como uma pessoa normal? E se ele tivesse aberto mão de ser o salvador da humanidade para viver como um homem?

A Última Tentação de Cristo é sem dúvida um dos filmes mais polêmicos comandados por Martin Scorsese na mesma proporção de ser um de seus momentos mais brilhantes como diretor.

O filme, baseado no livro do grego Níkos Kazantzákis, é uma dura reflexão a qual todo cristão se nega a imaginar. Será que em algum momento de sua vida, Cristo temeu seu destino? O filme reconta os eventos narrados pela bíblia sob um olhar humano e delicado sobre como Jesus reagiria ao seu destino messiânico. E se seguisse outro caminho?

As personagens da história ganham uma personalidade humanizada, dando à roupagem que o filme se propõe ainda mais autenticidade, e isso incomodou muita gente. O que essa muita gente não viu foi que o filme tenta a todo custo resgatar nas pessoas a compreensão da crença.

É um filme que busca explicar dentro do que é relatado na bíblia a capacidade da interpretação de seu significado e não somente crer naquilo como sendo uma verdade absoluta.

Diante do rebuliço causado pela obra (e de muita gente que ainda torce o nariz com relação a essa obra prima), cito a resposta de Kazantzákis: “Vocês me amaldiçoaram, pais sagrados, eu dou a vocês uma benção: possam as suas consciências ser tão claras quanto a minha e possam vocês ser tão morais e religiosos quanto eu”.

1 – Luz de Inverno


Leia a crítica aqui. Luz de Inverno é o mais perto que o cinema chegou de encontrar uma resposta para os mistérios da fé. Crer ou não crer? Como fazer isso num momento crítico, onde a humanidade parece não ter salvação? Fim dos tempos? Não, é dúvida na fé. 

O padre que questiona a própria fé é a forma que Ingmar Bergman encontrou para interpretar um dos maiores mistérios da humanidade. De onde vem o conceito de fé e de que maneira ela blinda o ser humano de seus temores são os assuntos mais intensos, retratados de maneira intimista e esclarecedora por um dos mais brilhantes cineastas da história. 

O tema tratado com certa audácia, em tempos em que turbulências diplomáticas ameaçavam a mais bela criação divina, nosso mundo, constrói com impressionante maturidade algo que deveria ficar como mensagem universal: fé é muito diferente de religião. 

Acreditar nessa fé é o caminho mais seguro do que seguir doutrinas interpretativas que em muitas vezes desviam da própria proposta. É reinterpretar o primeiro mandamento, tendo em mente a liberdade e o livre arbítrio (garantidos por Deus na bíblia) dessa crença se revelar da maneira que for, mas se revelando.

Postado no site Outras Palavras em 29/08/2013

29 agosto 2013

A consulta




Otávio Mazza

– Doutor, eu não tenho nada.

– Bom, isso é ótimo! Mas então por que é que você está aqui?

– Você não entendeu, doutor. Eu não tenho nada. Absolutamente nada.

– Se é assim, eu posso lhe emprestar algum. Por sorte, eu estou com a carteira recheada, um homem prevenido vale por dois. Tenho até euros, se você preferir.

– Não, doutor, não é a isso que me refiro. Eu até tenho coisas. Muito mais do que preciso. Só que tudo o que eu tenho não me serve. Ou já não me basta. Não há nada de meu ali. A única coisa realmente minha é um grande vazio.

– E as pessoas? Você tem família, amigos?

– Tenho, mas eles não me veem, ou não me escutam. Ou falam outra língua: quando digo coisas tristes, eles riem; quando penso ser engraçado, eles choram. E eles se divertem muito com as coisas que eu tenho ou que eles julgam ter. Estão sempre muito entretidos.

– Você tem algum hobby, pratica um esporte…? Já cogitou ter uma amante?

– A palavra hobby me causa náuseas, doutor, não a repita de novo, por favor. Eu procuro me expressar de várias formas artísticas, mas a minha falta de talento briga com o meu bom gosto; o esporte ajuda a me manter vivo e fora de um manicômio judiciário; a amante eu já tive, mas só aumentou o meu vazio, e vazio a dois é muito triste…

– Entendo…

– Eu só queria muito querer muito algo, e que fosse realmente especial para mim. Queria ter certeza de que estou vivo.

– Quer que eu ausculte o seu coração?

– Doutor!!!

– Desculpe, foi automático. Bom, do pouco que eu conheço, o senhor parece padecer do mal-estar da civilização – li um capítulo do Freud na faculdade e gostei muito, especialmente de citá-lo em festinhas com o pessoal de humanas.

– Arrã…

– Apesar disso, eu tenho poucos recursos para ajudá-lo, pois sou apenas um ortopedista. Posso lhe indicar um psicólogo.

– Nãã. Já fui a muitos. Trocamos livros, CDs, impressões sobre filmes, uma até se apaixonou por mim, mas não achei de grande valia.

– Um psiquiatra, daqueles que receitam remédios tarja preta?

– Já tomei tudo junto e misturado.

– Um tango argentino?

– Os conheço de cor, assim como Bandeira e Fernando Pessoa.

– Bom, tentei tudo que está ao alcance da medicina, mas me sinto de mãos atadas.

– Eu também. Esse é o problema.
***
Epílogo

– Neide, você pode cancelar as consultas desta tarde, por gentileza?

– Sim, claro. Está tudo bem com o doutor? O doutor tem alguma coisa?

– Não tenho nada. Mas é contagioso.


Postado no site Outras Palavras em 26/08/2013


28 agosto 2013

Padrão imposto, mulheres aprisionadas


cabelo envelhece

Adriana de Lorenzo

Nas últimas semanas, vem sendo exibida pela internet uma nova campanha publicitária da Pantene, uma famosa marca de produtos para cabelos femininos.

O vídeo em questão se inicia com o momento que uma modelo brasileira internacionalmente famosa faz uma revelação bombástica: cabelo envelhece.

A partir daí, a propaganda mostra várias mulheres chocadas e perturbadas com o próprio cabelo, explicando que todas as mulheres agora têm um novo motivo para se preocupar. O que fazer para evitar a humilhação de um cabelo com aparência envelhecida? A solução para esse suposto problema, segundo a marca, está na compra de seus produtos.

O fato de que a indústria de beleza é voltada para as mulheres não é uma descoberta recente. A feminista Naomi Wolf já havia escrito sobre o assunto em 1991, quando publicou “O Mito da Beleza”, livro onde explica como as duras cobranças sobre a aparência física feminina dificultam a vida das mulheres.

Embora as mulheres brancas tenham conquistado o direito de trabalhar fora e receber salário próprio, a exigência por uma aparência impecável torna sua renda – já inferior à masculina – ainda menos produtiva, uma vez que grande parte do dinheiro precisa ser utilizado com cosméticos e outros produtos similares.

Um recorte de raça torna a situação ainda mais complexa, pois a mulher negra precisa, antes de qualquer outra coisa, se embranquecer para obter aceitação social e conseguir empregos mais prestigiados.

Mas não é necessário ler a produção de Naomi Wolf para compreender as políticas feministas e analisar criticamente a nossa realidade. O padrão de beleza e sua indústria são uma das formas mais expressivas de repressão feminina.

Com fins lucrativos, as empresas de cosméticos e outros produtos relacionados criam problemas e plantam insegurança nas mulheres, de modo que possam oferecer em seus produtos a solução.

Por isso é tão evidente o quanto essa nova propaganda sobre o envelhecimento dos cabelos se encaixa nessa análise: o próprio vídeo mostra mulheres tomando conhecimento de um suposto novo defeito que precisa ser eliminado, questionando umas às outras como identificar tal problema e buscando solucioná-lo. 

É irônica a forma como o próprio comercial retrata a paranoia das mulheres sobre algo que passava despercebido e que que até o momento jamais havia incomodado ninguém: “tá vendo como tá mais fino? é porque envelhece!”. 

Se até ontem as mulheres gastavam grande parte de sua renda com cremes contra envelhecimento da pele, a partir de hoje bilhões de reais serão gastos com o mais novo xampu que evita o envelhecimento dos cabelos.

Outro ponto importante é que muito se reproduz a ideia de que a saúde feminina equivale a juventude, de modo que as mulheres simplesmente não podem envelhecer em paz. 

Sua utilidade estética em uma sociedade machista, como musa, enfeite ou objeto, não é mais possível quando a mulher envelhece. 

Nossa cultura provoca um grande pavor à possibilidade de envelhecer, mas com um viés extremamente sexista: quando em idade avançada, os homens não querem envelhecer porque temem se tornar sexualmente impotentes, ao passo que as mulheres enfrentam durante toda a vida uma corrida contra o tempo, tentando reverter cada ruga e cada fio de cabelo branco para se manter no padrão de beleza.

É fato que para nenhum dos gêneros a situação é de plena liberdade, mas há diferenças: a cobrança para que homens se enquadrem em um padrão de beleza está cada dia mais forte, mas essa exigência sempre foi e permanece mais cruel e impeditiva para o sexo feminino. 

Não importa o posicionamento profissional, político ou intelectual de uma mulher: sua aparência sempre será o tema de maior discussão a seu respeito. De presidenta da república à professora do ensino fundamental, todas recebem sua parcela de xingamentos, ofensas e insultos relacionados aos seus corpos e sua aparência; todas as mulheres são categorizadas como sexualmente usáveis ou dispensáveis.

Além de incitar um gasto exorbitante com produtos de beleza, provocar insegurança nas mulheres em troca de lucro financeiro também causa danos profundos e frequentemente irreversíveis. Em um mundo que cobra o humanamente impossível do sexo feminino, a hostilização, falta de oportunidades e baixa autoestima tornam as vidas das mulheres extremamente desafiadoras.

A insegurança das mulheres diante da possibilidade de confrontar o padrão de beleza faz com que debates pertinentes ao assunto encontrem poucos espaços efetivos.

Não obstante, é necessário um esforço genuíno para alcançarmos algo em termos de avanços políticos feministas. O padrão de beleza é como uma corrente que ludibria e limita as mulheres, permitindo que avancem somente até certo ponto e sob condições rígidas. 

Enquanto valores arbitrários e subjetivos como feminilidade e beleza, ou mesmo estados temporários como a juventude continuarem a ser exigidos das mulheres, não haverá libertação plena.

Postado no site Revista Fórum em 28/08/2013


27 agosto 2013

A menina que foi à internet e disse um sonoro "não" à ditadura da chapinha



Seu nome é Julia Belmont, e seu vídeo já tem mais de duzentas mil visualizações na web.

A coragem e o bom humor de uma menina encantou milhares de pessoas na internet. A história da garota Júlia Belmont, que gravou um vídeo ensinando as pessoas a gostarem de seus cabelos, seja ele do jeito que é, foi mostrada no Domingo Espetacular desta semana.







Somos 7 bilhões e muitos desafios !







26 agosto 2013

Os índigos entre nós




Flávio Bastos


"Melhorados os homens, não fornecerão ao mundo invisível senão bons espíritos; estes, encarnando-se por sua vez só fornecerão à humanidade corporal elementos aperfeiçoados. A Terra deixará, então, de ser um mundo expiatório e os homens não sofrerão mais as misérias decorrentes das suas imperfeições". (Allan Kardec)

Eles retornaram no corpo de crianças para mais uma jornada na dimensão da matéria. Hoje, muitos deles adultos, percebem o mundo com um olhar que vai além dos cinco sentidos.

São os adultos índigos que estão em toda parte tentando cumprir as suas missões as quais sentem fluir intensamente de suas almas.

Portadores de uma sensibilidade incomum e de uma inteligência acima da média, os índigos preparam-se para liderarem as mudanças que acompanham a fase de transição energética do planeta Terra.

Geralmente, de olhos brilhantes e olhar intenso, perceptivos e comunicativos, nem todos os índigos encontram-se preparados para a Nova Era. Alguns ainda sentem-se confusos na relação que mantém com o próprio ego, à medida que este tenta seduzi-los com as ilusões do materialismo.

Nos últimos anos de prática psicoterapêutica, tenho atendido alguns índigos adultos que ainda não despertaram para as suas jornadas de luz em um mundo em processo de consideráveis transformações. 

São pessoas lúcidas, sem comprometimento neurológico ou de âmbito psiquiátrico, que os limite ou incapacite para a vida produtiva, mas em crise de valores em relação a qual caminho trilhar, ou seja, a direção que indica o ego de influência materialista ou o rumo cuja inspiração emana da própria alma.

Em conflito entre o "ter e o ser", alguns índigos travam uma batalha íntima que gera ansiedade e angústia, pois, acima de tudo, são seres humanos suscetíveis às influências do mundo físico.

Outros, ainda mais influenciáveis, estabelecem vínculos obsessivos de natureza anímica, anímico-espiritual ou meramente espiritual, necessitando, desta forma, de ajuda no âmbito das psicoterapias de abordagem interdimensional.

Nos encontramos na Era da Sensibilidade e os índigos e os cristais são os principais agentes das transformações anunciadas para o milênio em curso. 

Portanto, preste atenção quando uma criança ou um adulto dirigir-lhe a palavra de uma forma na qual você se sinta sensibilizado ou simplesmente energizado com a sua presença, porque estas pessoas vieram para revolucionar o mundo em que vivemos.

Postado no site Somos Todos Um


Nota
Neste blog você encontra outras postagens sobre crianças cristal e crianças índigo.


Dentro de um abraço



Martha Medeiros


E então? Somando os prós e os contras, as boas e más opções, onde, afinal, é o melhor lugar do mundo? Dentro de um abraço.

Que lugar melhor para uma criança, para um idoso, para uma mulher apaixonada, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? 


Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve.

Que lugar melhor para um recém-nascido, para um recém-chegado, para um recém-demitido, para um recém-contratado? 

Dentro de um abraço nenhuma situação é incerta, o futuro não amedronta, estacionamos confortavelmente em meio ao paraíso.


O rosto contra o peito de quem te abraça, as batidas do coração dele e as suas, o silêncio que sempre se faz durante esse envolvimento físico: nada há para se reivindicar ou agradecer, dentro de um abraço voz nenhuma se faz necessária, está tudo dito.

Que lugar no mundo é melhor para se estar? Na frente de uma lareira com um livro estupendo, em meio a um estádio lotado vendo seu time golear, num almoço em família onde todos estão se divertindo, num final de tarde de frente para o mar, deitado num parque olhando para o céu, na cama com a pessoa que você mais ama?




Difícil bater essa última alternativa, mas aonde começa o amor, senão dentro do primeiro abraço?


23 agosto 2013

Você está à beira do quê ?



Martha Medeiros

Se você responder à pergunta acima dizendo que está à beira de um ataque de nervos, não será uma resposta original, mas pode muito bem ser verdade, já que poucos conseguem ficar tranquilos diante desta rotina surreal em que nos meteram.Trancar portas, gradear janelas, acionar alarmes, desconfiar de todos — que vida excitante. 

Eu, ao contrário de me enervar, estou à beira de ficar zen. Basta apenas parar de ler os jornais, de ver TV, desconectar o computador, vender meu carro, doar meus bens e me mudar para o Tibete.

Você também não sente vontade, às vezes? Eu de segunda a domingo. À beira de algo. 

A maioria das pessoas — as desassossegadas por natureza — está a ponto de dar uma guinada, está prestes a tomar uma atitude, está ali ali para enfrentar uma ruptura. 

Poucos estão 100% conformados. Os que têm o costume de se questionar ao menos meia-hora por dia já podem se considerar no limiar de fazer uma manobra radical: são habitantes do planeta 'Quase'. 

Alguns, por exemplo, estão quase desistindo de manter sua empresa funcionando. Estão cansados de pagar tantos impostos, de sofrer ações trabalhistas injustas, enfraquecidos pela concorrência que só cresce. Estão quase falindo, mas lutando. Quase desistindo, mas ainda sem coragem de abrir mão de tudo. Outros estão quase saltando fora de um casamento, quase convencidos de que é melhor sofrer fora do que dentro dele, por pouco não trocando de lado, apenas aguardando o tal “momento certo”, que é a coisa mais difícil de identificar.

Em contrapartida, tem gente assinando a papelada para abrir um negócio próprio e outros tantos com a data de casamento marcada. Não importa a ruptura que se dará (mudar de condição de vida é sempre uma ruptura): tudo o que nos aguarda ali adiante é um enorme e imponente ponto de interrogação. 

É como se o mundo fosse dividido em duas partes, com um rio passando no meio. Estamos sempre de olho na outra margem deste rio, no que existe do lado de lá. 

E é desta sensação de incompletude — não podemos estar nos dois lados ao mesmo tempo — que surge tudo o que existe.

Estamos sempre na iminência de. Tentados a. Seduzidos por. Você está à beira de quê? Sabe, sim. Só não quer contar.



Os jalecos engomados e seus uivos de desespero



Marco Antonio Araujo

Criminoso. Não há outra palavra para definir o comportamento do presidente do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais, João Batista Gomes Soares. O fanfarrão declarou, com todas as letras, que vai orientar os médicos a não socorrerem eventuais erros dos cubanos que foram contratados pelo governo para trabalhar em áreas carentes. O cidadão está incitando profissionais da saúde a omitir socorro a quem eventualmente precisar.

O cara não teve nem a decência de manter a palavra. Quando viu o tamanho da barbaridade que falou, tentou consertar: "Nós não temos que socorrer o médico cubano, nós temos que socorrer o paciente". 

Essa frase capenga não consegue esconder o principal: a fúria que despertou em certa parcela da população, supostamente esclarecida, a vinda dos jalecos cubanos.

A máscara caiu. Entraram em desespero, estão apelando, enlouqueceram. Por puro ódio. Ou vergonha do próprio egoísmo. Não há outra explicação.

Não adianta a enorme lista de argumentos a favor do programa Mais Médicos. 

Nada vai amenizar os instintos primitivos daqueles que simplesmente querem que tudo permaneça exatamente como está. Que continuem morrendo os milhares de brasileiros nos rincões deste País em que não há um único médico num raio de centenas de quilômetros. É pra esses lugares esquecidos que vai essa legião estrangeira.

Mas a turma do jaleco engomado quer mais que o povo, literalmente, morra. Porque nenhum brasileiro, muito menos os formados nas universidades públicas, quer ir para onde essa turma de missionários está indo.

A máscara caiu no momento em que o governo abriu as inscrições para as vagas e nenhum, absolutamente nenhum, médico brasileiro se dispôs a enfrentar a porrada que é atender os mais necessitados — e, sim, em condições precárias, quando não inexistentes.

Agora, da maneira mais hipócrita, daquela forma maléfica que nossas elites têm quando não conseguem mais esconder seu individualismo, sua mesquinhez, sua alma pequeno burguesa, aparecem com o último argumento que lhes restou: os médicos cubanos são escravos. Escravos! Eles serão usurpados pelo governo da Ilha Maldita, separados de suas famílias e, quem sabe, carregarão bolas de ferro amarradas aos pés. Dai-nos paciência.

Sem ficar alimentando esse falso debate, só exponho um argumento contra essa falácia. Os cubanos são voluntários. Vou repetir: voluntários.

E desconheço alguém que voluntariamente aceite ser escravizado. Eles serão remunerados, dentro de um programa que já foi implantado em mais de cem países, com competência e sucesso reconhecidos internacionalmente. Menos aqui no Brasil. Claro.

Um sistema político que consegue criar um excedente de médicos, a ponto de espalhá-los pelo mundo, sempre em regiões de extrema pobreza, merece ser tratado com um mínimo de respeito.

E não sofrer os ataques violentos e irracionais que temos presenciado, principalmente nas páginas dos grandes jornais e revistas e nas telas dos telejornais dos barões da mídia. É a política, estúpido!

Quanto ao cidadão do CRM, só digo uma coisa: o que ele declarou, além de criminoso, é patético: nenhum paciente atendido por um médico cubano (que eventualmente erre) vai ser depois socorrido por médicos brasileiros, por um único motivo: eles não estarão lá.


Postado no blog O Provocador em 23/08/2013

Ditados da vovó... no mundo virtual



- Uma impressora disse para outra: essa folha é sua ou é impressão minha?

- Um é pouco, dois é bom, três é chat ou lista virtual...

- Quando a esmola é demais, o santo desconfia que tem vírus anexado.

- O barato sai caro. E lento.

- Melhor prevenir do que formatar.

- Não adianta chorar sobre arquivo deletado.

- Para bom provedor uma senha basta.

- Antes só, do que em chats aborrecidos.

- A pressa é inimiga da conexão.

- Amigos, amigos, senhas à parte.

- Vão-se os arquivos, ficam os backups.

- A arquivo dado não se olha o formato.

- Mais vale um arquivo no HD do que dois baixando.

- Nada se perde, nada se cria, tudo se copia e depois se cola.


22 agosto 2013

Luto... pela humanidade !






Mundo horrorizado





Leila Cordeiro

Não quero parecer piegas ou óbvia nesse texto. Também não gostaria que o leitor buscasse nele razões políticas ou ideológicas, mas que o encarasse como um desabafo...um desabafo de alguém que, como tantos milhões de seres humanos mundo afora, devem estar preocupados com o destino da humanidade.

Esse ataque com gás mortal na Síria, obrigou-me a parar tudo o que eu estava fazendo para dedicar alguns momentos à reflexão, coisa cada vez mais rara em nossas vidas à medida que a velocidade do tempo e dos acontecimentos é tão assustadora que vivemos voltados para o nosso próprio umbigo.

Confesso que tenho dificuldade em começar meu raciocínio... e aqui, como num reality show escrito, estou me colocando completamente vulnerável às emoções ao ver na internet fotos tão chocantes que me levaram às lágrimas.

Num primeiro momento hesitei em vê-las, mas depois tomei coragem e pensei que precisava ter essa visão da tragédia para poder escrever e, principalmente, refletir sobre ela.

Mas tenho certeza que nem as imagens mais chocantes foram necessárias para eu poder dimensionar em palavras o que deve ter acontecido com aquelas pessoas todas, mortas, inocentes alvos da estupidez humana que parece não ter fim.

Pelas informações da mídia e da oposição síria, foram jogadas bombas letais em regiões onde as famílias estavam dormindo e, assim, foram pegas de surpresa, sem terem para onde ir e muito menos se esconder. Não dá nem para imaginar o momento em que se viram sufocadas. Famílias inteiras com suas crianças que não tiveram chance de viver mais do que os poucos anos reservados para elas.

Nas fotos, mais do que chocantes, vemos as vítimas inocentes com olhos entreabertos, alguns esbugalhados, lábios roxos e rostos deesesperados em busca de ar, já que o gás atirado não as deixava respirar mais. Tudo muito triste e muito, muito preocupante.

Parece inocente e simples falar assim, mas é assim que eu consigo me expressar tentanto gritar meu medo, minha preocupação pelo que pode estar vindo por aí. Não é porque eu ou minha família estejamos, a princípio, em segurança que vou deixar de pensar, sofrer, chorar e lamentar profundamente por essas pessoas que não tiveram escolha na hora de nascer no lugar errado.

Eu, como mãe, e acho até que nem precisa ser mãe para sentir na pele tamanho sofrimento, vi fotos de crianças mortas por nada, pela ânsia violenta de poder e disputa que a cada dia faz mais vítimas em todos os lugares do mundo. Estou sim, revoltada, arrasada com o que vi daqui de longe. Confesso que olhei em volta e pensei... porque uns são tão felizes e outros tão miseráveis.

Quero ir mais além, quero me revoltar e não me acomodar, me conformar e pensar "que as coisas são assim mesmo", quero de alguma maneira pedir ajuda a alguém mesmo sem saber a quem.

Confesso que ao ver as imagens de centenas de corpos de inocentes crianças me passaram tantos medos pela cabeça que nem ouso pensar no que o futuro reserva à humanidade, sobretudo porque não consigo vislumbrar sinais de paz e harmonia entre os homens que se alimentam de guerras insensatas e cruéis.


Leila Cordeiro

Começou como repórter na TV Aratu, em Salvador. Trabalhou depois nas TVs Globo, Manchete, SBT e CBS Telenotícias Brasil como repórter e âncora. É também artista plástica e tem dois livros de poesias publicados: "Pedaços de mim" e "De mala e vida na mão", ambos pela Editora Record. É repórter free-lancer e sócia de uma produtora de vídeos institucionais, junto com Eliakim Araujo.



Postado no site Direto da Redação em 22/08/2013


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